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A lanterna das memórias perdidas | Sanaka Hiiragi 📖🔦✨

capa do livro "A lanterna das memórias perdidas" de Sanaka Hiiragi

Título: A lanterna das memórias perdidas
Autor: Sanaka Hiiragi
Género: Ficção, Romance
Data de Lançamento: Outubro 2023
Editora: Porto Editora
Páginas: 196
ISBN: 978-972-0-03727-5

Classificação: 4/5

Terminado em Fevereiro 2024

Wook: A lanterna das memórias perdidas
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Uma história sobre a vida, a morte e o que está no meio. 

Sobre as coisas que realmente importam na altura de fazer uma retrospetiva da nossa vida e sobre as fotos e pessoas que levamos connosco para o outro lado.

A lanterna das memórias perdidas de Sanaka Hiiragi, baseado em tradições japonesas, é um livro que nos transporta ao lugar imaginário entre a vida e a morte. Leva-nos pela história e profissão de Hirasaka, que tem um estúdio de fotografia onde vão parar, cada uma em sua vez, três personagens: Hatsue, Waniguchi e Mitsuru. 

Assim que chegam ao estúdio são recebidos pelo anfitrião Hirasaka com duas simples coisas: uma chávena de chá e a notícia de que acabaram de morrer. Antes de partirem para o outro lado, têm uma última tarefa para completar: escolher, de entre um monte de fotografias da sua vida, uma fotografia por cada ano da sua existência. Para além disto, podem ainda fazer uma viagem pela sua vida e capturar numa nova fotografia a sua memória mais especial. «Este será um ritual que lhe permitirá refletir sobre a sua vida uma última vez.» 

Somos convidados a viajar com estas personagens pelas suas memórias e a viajar pela nossa própria vida pensando quais seriam as fotos e memórias que gostaríamos de eternizar aquando da nossa partida para o outro lado. É um exercício de contemplação das coisas boas da vida e do que realmente importa. «Chegando aqui, não importa quão influente ou rico tenha sido. A única posse que perdura são as memórias.»

Ao mesmo tempo, Hirasaka, que acompanha todas estas pessoas nesta sua travessia, tem apenas uma foto da sua vida, e não tem memórias de quem foi, um paralelismo interessante com uma passagem do livro que ele mesmo diz a uma das personagens: 
«Devo dizer-lhe que, caso guarde remorsos e ressentimentos fortes da sua vida passada, não será capaz de ir para o outro lado. Nesse caso, a alma fica presa para sempre no mesmo lugar.» É inevitável deixar o leitor a pensar se terá tido como punição o seu trabalho. Será a punição de quem não está em paz rever eternamente as vidas dos outros até aceitar a sua? No fim é revelado o porquê. A maior infração que podemos cometer na vida de outra pessoa é mudar-lhe o destino.

No fim de todo este processo, e fazendo jus à nossa expressão de “ver a vida inteira a passar à nossa frente”, as personagens constroem, com as fotos selecionadas, uma lanterna que utilizam para visualizar uma última vez a sua passagem pela terra, numa perspetiva só deles. Temos sempre uma perspetiva muito nossa e luminosa sobre a nossa própria vida.

Outras citações que adorei do livro:

« – Sentir-se bem é bom?
– Digamos que é um tipo de reparação que não se vê.»

« Lesões num braço, por exemplo, haveriam de ficar saradas. Mas não havia maneira de curar a ferida que se abriu quando lhe arruinaram algo tão importante.»

« É impossível mudar o passado, a única coisa ao seu alcance é tirar uma fotografia.»

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