Título: Nem Todas as Árvores Morrem de Pé
Autor: Luísa Sobral
Género: Ficcção, Romance
Data de Lançamento: Fevereiro 2025
Editora: Dom Quixote
Páginas: 224
ISBN:9789722084901
Classificação: 5/5
Terminado em Novembro de 2025
Wook: Nem Todas as Árvores Morrem de Pé
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“Nem Todas as Árvores Morrem de Pé” é o romance de estreia de Luísa Sobral. Segue a história de duas mulheres, das suas raízes, amores e maternidade cujo desabrochar acontece em fases diferentes da vida. Uma obra tocante e emocionante.
Resenha
“Nem Todas as Árvores Morrem de Pé” é o primeiro romance de Luísa Sobral. A história acompanha duas protagonistas e dois tempos, mas com uma ligação comum. Emmi cresceu no pré-guerra, perdeu o pai e apaixona-se por Mischa, um homem de Berlim Oriental. Contra a vontade da mãe, muda-se com Mischa para a RDA uns dias antes do muro se erguer e as separar para sempre. M., filha de Emmi e Mischa nasce já após a divisão da Alemanha e admira o pai mais que tudo, enquanto a mãe está submergida numa depressão profunda.
No dia em que descobre a verdade sobre quem mais ama, o mundo de M. desaba e esta deixa as suas raízes em busca de um sítio novo para desabrochar. Decide fugir com um amigo em busca de liberdade e de uma vida longe de tudo o que conhecia.
« Cada árvore é uma mãe. Vê os filhos que nascem e partem. Nunca abandona o seu lugar. Morre de pé.»
Quando me cruzei com este excerto, acho que percebi a mágoa do título do livro. Nem Todas as Árvores Morrem de Pé. Nem todas as mães morrem de pé. Nem todas as mães ficam firmes no seu lugar a ver os filhos nascerem e partirem. Algumas abandonam o seu lugar, os seus filhos, a vida. Emmi não morreu de pé.
Num caminho de autodescoberta, viajamos por cartas, prosa e poesia numa escrita sublime e deixamo-nos regar pelas palavras da autora. Somos convidados a pensar também nas nossas raízes e a não deixar que estas definam quem somos. Uma estreia soberba na escrita que nos deixa a pensar em todas as histórias que ficam por contar.
Alguns excertos favoritos
« Cresci a confundir grandiosidade com grandez.
Afinal, eras só um homem alto.»
« A euforia do momento em que acreditamos ter desvendado o nosso destino é assoberbante, mesmo que esse momento se repita ao longo da vida com descobertas diferentes.»
« A nossa amizade era feita mais de silêncios do que de palavras e, no entanto, ninguém me conhecia tão bem como ele.»
« O Mischa não tinha parte de um braço, mas foi a primeira vez que me senti verdadeiramente abraçada.»
« As plantas só crescem onde encontram condições perfeitas para se desenvolverem. Nós, seres humanos, temos muitas vezes de criar condições perfeitas num lugar imperfeito.»
« Na terceira semana já não sentia medo, ou então já estava tão habituada a viver assim que não dava por ele, como acontece com as doenças crónicas. O medo era a minha doença crónica.»
« Só é verdadeiramente livre aquele que não pensa na liberdade, o que a vive. Pensar naquilo que significa ser-se livre é prender a liberdade num conceito.»
« Lembro-me da minha desilusão ao constatar que, de noite, a liberdade é tão negra quanto a repressão.»
« Amar em segredo devia ser proibido. Era como tentar conter um soluço o dia inteiro.»
« Deixar que cuidem de nós não é uma fraqueza. É uma inevitabilidade.»
« É preciso tão pouco para se ter tudo.»
« O primeiro amor é selvagem, desprovido de barreiras, regras e preconceitos. No entanto, quando termina, é quem dita as barreiras, as regras e os preconceitos dos amores seguintes, todos eles menos selvagens.»
« Beijou-me quando não estava à espera. Eu que não fazia nada há meses senão esperar.»
« Há uma calma no amor que a paixão desconhece.»
« Tivesse-lhe uma raiva inicial que lentamente se transformou em mágoa. Mas a mágoa ainda magoa. Talvez por isso apenas um acento distinguia as duas palavras.»
« Quando fazer amor se transforma em fazer bebés, ou nos nasce um filho ou nunca mais se volta a fazer amor.»
« Foi difícil admitir que tinha saudades do meu país. Eram saudades de um país que eu já não conhecia, mas que ainda era meu.»
« Por mais estranho que pareça, o ser humano pode preferir a opressão à liberdade se o seu medo de mudança for superior ao desejo de ser feliz.»
« Amámo-nos sem a pressa de quem tanto esperou, mas com a calma de quem tem o resto da vida para se amar.»



