Título: O Caçador de Elefantes Invisíveis
Autor: Mia Couto
Género: Ficcção, Contos & Crónicas
Data de Lançamento: Outubro 2021
Editora: Editorial Caminho
Páginas: 176
ISBN:9789722131223
Classificação: 3/5
Terminado em Julho de 2025
Wook: O Caçador de Elefantes Invisíveis
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“O Caçador de Elefantes Invisíveis” é uma coletânea de histórias que misturam o real e o imaginário. Mas é mais que isso. É um retrato cultural que mostra Moçambique por inteiro: o rural e o urbano, o tradicional e o moderno, sempre com uma visão íntima e carinhosa.
Resenha
Mia Couto tem uma escrita incontornável e leva-nos a sítios, literais e figurados, com uma mestria com as palavras como poucos.
Este livro passeia-nos por pequenos contos, histórias e crónicas pelos caminhos de Moçambique. Em diferentes épocas e tempos, vemos traços comuns que transformam estas pequenas narrativas em aprendizagens universais. Somos apresentados à sabedoria popular, aos contrastes sociais, à história recente do país mas principalmente às almas e memórias do autor. Com as suas habituais metáforas celebra também a ternura, amor e humor deste povo.
Cada conto é independente e pode ler-se sozinho. No fim, todos os contos falam entre si e mostram-nos um retrato de tudo o que o autor é, vive e imagina.
Alguns excertos favoritos
« Chama-se indiferença. Era preciso um hospital do tamanho do mundo para curar essa epidemia. »
« Lugar de rapariga é em casa. Elas, sim, iriam ficar em casa. Agora e sempre. Que é para não apanharem a doença de sonhar. Nem com coisas visíveis e, menos ainda, com criaturas invisíveis. »
« É por isso que a nossa casa não germina. Não é raiz que falta. Foi o chão que morreu. »
« Uma mulher pode parir em silêncio, mas ninguém pode impedir o choro de um bebé que nasce. As contas eram fáceis de fazer: a vida daquela criança ia acabar com a vida de todos nós. Em Kalimbué há um velho provérbio: uma pedra pode atrapalhar mais do que uma montanha. »
« Todos os domingos o meu pai anunciava que ia à missa. Nunca chegou a entrar na igreja. Pelo caminho, parava nos bares. Eram vários os bares e, mais ainda, as paragens que ele fazia. (…) A arte de quem apanha, dizia ela, é evitar marcas. Dói mais exibir essas nódoas que o sofrimento da pancada. Era assim que ela falava. (…) Havia uma destilaria dentro do hálito dele. (…) Os bêbedos têm medo das palavras. Magoam-se mais ainda com o silêncio, esse fundo de copo irremediavelmente vazio. (…) Estranho paradoxo: a nossa família só se tornou completa quando a nossa mãe ficou viúva. (…) E calço os sapatos para me dirigir à taberna onde os meus filhos me virão buscar. »



