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Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra | Mia Couto 🌊⏳🏠

Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, de Mia Couto

Título: Um Rio Chamado Tempo, uma Casa Chamada Terra
Autor: Mia Couto
Género: Ficcção, Romance
Data de Lançamento: Julho 2012
Editora: BIS
Páginas: 256
ISBN: 9789896602253

Classificação: 4/5

Terminado em Outubro de 2025

Wook: Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra
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Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra, de Mia Couto — uma viagem poética às origens, à memória e à identidade moçambicana.

Resenha

“Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra”, de Mia Couto é um romance que nos leva até Moçambique num ambiente pós-colonial.

O livro acompanha Marianinho, um jovem que regressa à sua terra natal, a ilha de Luar-Do-Chão, após a morte do seu avô, o Dito Mariano. Nas primeiras páginas pode parecer que o propósito da viagem é única e exclusivamente o funeral do avô, mas com o virar do papel vamos percebendo que este regresso vai ter um peso muito maior na vida de Marianinho.

« – O avô está morrendo ou já morreu?
– É a mesma coisa. 
» 

Na ilha, o rio e a casa não são simples cenários, são personagens com simbolismo. O rio é o fio condutor da história, o tempo que não tem princípio nem fim. A casa é o ponto de encontro da família, um espaço de memória que guarda ecos do passado.

« O importante não é a casa onde moramos. Mas onde, em nós, a casa mora. » 

Marianinho, cujo avô deixou responsável pelo seu funeral, vai-se envolvendo nas tensões familiares e tradições locais e desvenda mistérios não resolvidos em volta da morte de Dito Mariano. As rivalidades da família e culpas antigas refletem um país que ainda não está reconciliado com a sua própria história. Marianinho reencontra-se com as suas origens, com os segredos familiares e com a memória coletiva de uma comunidade que continua profundamente ligada à terra e ao tempo.

O autor pinta imagens e metáforas que nos transportam para uma leitura sensorial. Uma reflexão profunda sobre o peso da herança, da identidade e da forma como o passado continua vivo em nós mesmos quando não notamos ou tentamos esquecê-lo.

Alguns excertos favoritos

« A morte é como o umbigo: o quanto nela existe é a sua cicatriz, a lembrança de uma anterior existência. » 

« No avô Mariano confirmo: morto amado nunca mais para de morrer. » 
 

« Não somos donos mas simples convidados. A vida, por respeito, requer constante licença. » 

« A penumbra adentrou-se dele como um bolor e acabou ficando saudoso de um tempo nunca havido, viúvo mesmo sem ter nunca casado. » 

« O mundo já não era um lugar de viver. Agora, já nem de morrer é. » 

« (…) quem parte de um lugar tão pequeno, mesmo que volte, nunca retorna. » 

« Certas coisas vemos melhor é com os olhos fechados. » 

« Como se diz aqui: feridas da boca se curam com a própria saliva. » 

« Mas os lugares nos aprisionam, são raízes que amarram a vontade da asa. » 

« É assim a ganância, padre: uns possuem, outros são possuídos pelo dinheiro. » 

« Pode-se dar férias ao parantesco? Em silêncio, olho em volta. Cercado pelo sossego da pequena igreja me apetecia, naquele momento, deixar de ser filho, neto, sobrinho. Deixar de ser gente. Suspender o coração como quem pendura um casaco velho. » 

« Aqueles que mais razão têm para chorar são os que não choram nunca. » 

« Em Luar-do-Chão, nem há palavra para dizer “pobre”. Diz-se “orfão”. Essa é a verdadeira miséria: não ter parente. » 

« Se eu não creio em Deus? 
Lá crer, creio.
Mas acreditar, eu acredito é no Diabo.»
 
 

« Os lugares não se encontram, constroem-se. » 

« A saudade é uma ferrugem, raspa-se e por baixo, onde acreditávamos limpar, estamos semeando nova ferrugem. » 

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