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13 Dias no Nepal: Um Roteiro Entre Montanhas, Cultura e Pessoas 🏔️🛕🧘

13 Dias no Nepal: Um Roteiro Entre Montanhas, Cultura e Pessoas

Dia 15 de Outubro de 2022 embarquei para uma aventura de cerca de 18 dias no Nepal e no Butão, com a OasisTravel. Fui em busca de um sonho, o sonho de conhecer o Butão. Foi a minha primeira viagem em grupo, um grupo que apenas conheci no aeroporto. Durante esta viagem, escrevi o que fui vendo e sentindo num caderno. Sempre foi minha ideia guardar para mim os meus devaneios e usar apenas a parte mais factual das notas, para escrever algo parecido com um roteiro. Mas quem me conhece saberá que sou uma pessoa que sente muitas coisas, e viajar para mim é isso. Por isso, partilhar esta viagem só faria sentido a par com tudo que senti com ela. Neste artigo irei levar-vos comigo neste percurso e mostrar-vos não apenas o que podem ver e viver nestes locais, mas o que podem sentir. 

Nota: tudo o que está escrito dentro de \\ foi escrito em 2022, no decorrer da viagem. Tomei a liberdade de ocultar partes que ou são mais pessoais ou envolvem companheiros de viagem que acho que não faria sentido expor. Tudo o resto foi escrito aquando da publicação deste artigo. 

Dia 1: Lisboa - Istambul - Katmandu

15 de Outubro de 2022

\\ Foram 9 meses à espera desta viagem, mas o sonho começou há 7 anos. Talvez tenha esperado toda a vida por este dia. Acordei estranhamente tranquila, como se tudo estivesse certo, destinado, inquestionável. Mas também acordei no meu novo eu: a não querer contacto com ninguém, a desejar e a temer conhecer e falar com outras pessoas.
Fui logo desarmada por uma alemã na porta de embarque, que trabalha e viaja pelo mundo. Ainda nem tinha entrado no avião e aquela viagem já estava a levar-me pelo mundo fora e a fazer crescer em mim sonhos novos. (…) Falámos sobre a Indonésia, apresentei-lhe Socotra, chorou-me sobre Madagáscar e partilhamos ideias sobre a Coreia do Norte. A verdade é que partimos desde muito cedo para um ódio (e amor) aos polos que nos dividem e perdemos pouco tempo a tentar ver coisas positivas e a encontrar um meio termo onde possamos aproveitar o melhor dos dois mundos. Depois percebi que nem lhe perguntei o nome. Mas a essência das coisas está pouco no que lhes chamamos. (…)
Entrámos no avião e fiquei ao lado de uma daquelas pessoas que te dizem olá como se tivessem jantado no dia anterior em tua casa. A Ana ofereceu-se para me ajudar com a mochila e adorou, como eu, os pimentos e curgetes do almoço. É staff na Universidade da Beira Interior e vai para a Moldávia 7 dias num programa de intercâmbio. (…)
Chegámos ao aeroporto de Istambul e senti-me ainda em casa. Afinal, há precisamente um ano estava aqui. Sentei-me enquanto esperávamos pelo próximo voo e pensei que seria o momento ideal para começar a escrever este meu diário de bordo. Não quero nunca esquecer cada momento desta viagem. No fim das contas, quando se espera uma vida por algo, espera-se também que o resto da vida seja passado a relembrá-lo. As memórias dos momentos são quase tão boas como os momentos em si. \\

Sentei-me no último voo da viagem de ida e calhou-me um lugar à janela. Sempre são os meus lugares favoritos, com o horizonte como destino das próximas horas, era tempo de dormir, para acordar nova e diferente, num lugar que me ia mudar para sempre.

Dia 2: Katmandu

16 de Outubro de 2022

\\ O dia 2 desta viagem começou com um dos mais bonitos nasceres do sol que já tive a sorte de vivenciar. Os raios de sol surgiram por detrás da maior cadeia montanhosa do mundo, os Himalaias. Foi mesmo emocionante e quase chorei. Julgo que nunca estamos prontos para a emoção que é concretizar sonhos. E ainda bem.
Aterrámos em Katmandu por volta das 6 da manhã e demoramos ainda cerca de 2 horas para cumprir todas as formalidades e burocracia necessárias.
Depois saímos do aeroporto e fomos recebidos por um guia local e uma placa a dizer bem-vindos, assim mesmo, em Português. Seguimos com ele de autocarro até ao hotel e esta pequena viagem foi o primeiro contacto com esta cultura que dizem ser uma versão mais soft da Índia. 
As ruas são esburacadas e cheias de gente. Aqui todos têm prioridade, apita-se por recreação e as senhoras atropeladas por motas têm o direito de bater em quem as atropela. Sim, eu vi isto a acontecer. Os cabos elétricos, à semelhança do sudeste asiático, são imensos e com mais nós que as minhas costas depois de carregar toda a minha bagagem. Os frangos crus e o peixe fresco estão expostos à beira da estranha e são temperados com pó.
Chegámos ao Hotel Fairfield by Marriott, tomamos um leve pequeno almoço e fomos descansar até ao almoço, que foi também no hotel. Saímos pouco depois de almoço, a seguir a bandeirinha que o guia tentava erguer no meio do caos da cidade. \\

Foi neste breve percurso do hotel ao autocarro que tivemos o primeiro contacto de perto com a comunidade de Katmandu. Passámos por um tanque enorme onde várias pessoas lavavam a roupa. Por entre ruelas havia alguns locais a apanhar e a escolher lixo, assumo que para tentar vender ou de alguma forma obter dinheiro do que outros deitam fora. Nós passamos por ali, rumo ao nosso destino. Queremos sempre acreditar que somos capazes de mudar o nosso destino, mas começo a acreditar que no catálogo dos sonhos e destinos, temos todos menus muito diferentes por onde escolher, e tivemos mesmo muita sorte nesta lotaria.

Swayambhunath, Katmandu

\\ Rumámos ao nosso primeiro ponto turístico desta viagem: Swayambhunath, um complexo religioso budista. Quero partilhar algumas curiosidades convosco:

  • Diz-se que parte das cinzas de Buda se encontram aqui e, por isso, tornou-se um num dos principais destinos de peregrinação para os budistas.
  • Os olhos de Buda estão em todas as fases da stupa porque Buda tudo vê.
  • Consta ainda um símbolo que forma a espécie de nariz por baixo dos olhos, que é na verdade o símbolo da unidade e da paz.
  • As bandeiras penduradas de 5 cores contêm orações e as cores simbolizam os 5 elementos.

A vista sobre toda a cidade emoldurada pelos Himalaias é majestosa e de tirar o fôlego. Há ainda uma quantidade maluca de macacos a saltitar por ali, por isso cuidado com eles.\\

Praça Durbar, Katmandu

\\ Voltámos a entrar no autocarro e desta vez o destino foi a Praça Durbar que contempla o antigo palácio real e inúmeros templos. Visitámos a casa da Deusa Viva Kumari Bahal. Esta é uma jovem pré-selecionada ainda em bebé depois de preenchidos alguns requisitos físicos e de stress. É mantida isolada do resto da população nesta casa e não vive com os pais, mas com cuidadores específicos. Aparece por alguns segundos, caso haja muita gente a visitar. Não pode ser fotografada. Quando mentsrua pela primeira vez, deixa de possuir o título e outra rapariga é escolhida para o seu lugar. Consideram-na encarnação de Durga, deusa suprema do hinduísmo e que representa o poder divino feminino.\\ 

Nota: Embora a Kumari escolhida em 2017 (Trishna Shakya) tivesse apenas 3 anos na altura, ela já não ocupa o cargo. Após atingir a puberdade aos 11 anos, Trishna foi substituída em setembro de 2025 pela pequena Aryatara Shakya, de apenas 2 anos e 8 meses, que passou a ser a nova deusa viva oficial do Nepal.

A Praça Durbar é património mundial pela UNESCO. É uma praça cheia de vida e com pedaços de história que se misturam com a religião em cada canto. Tem também milhares de vendores e pombos, muitos pombos. Esta praça é local de várias manifestações e foi também aqui que a Geração Z se manifestou em 2025.

\\ Aproveitámos o fim da tarde para visitar o Mercado Ason e apreciar o dia a dia dos nepaleses. Conseguimos também aprender que as cabras são deixadas em templos para sacrifícios. Depois deste passeio entrámos num rickshaw (veículo de transporte de passageiros puxado por uma pessoa em bicicleta ou mota, comum em países como Índia, Bangladesh e Nepal) e atravessámos o trânsito caótico por ruas e ruelas do mercado local. É incrível a diversidade de cores, cheiros, sons e formas de se comportarem. Foi um passeio incrível e a pé deveria ter sido ainda mais espetacular.
Chegados ao hotel, e após as explicações sobre o dia seguinte, jantamos e fomos descansar. O dia seguinte começaria às 5:30 com saída do hotel às 6:15. O Butão é já amanhã, como diria a Cristina Ferreira. \\
Alojamento no Hotel Fairfield By Marriott. 

Dia 3: Katmandu - Paro - Thimphu

17 de Outubro de 2022

Kirtipur, Katmandu

\\ Hoje é o dia. O despertar foi às 5:30 da manhã. Começou com uma bela vista de Katmandu a amanhecer. Foi também dia de voltar a fechar a mala mas dia de deixar o sonho do lado de fora. Hoje é dia de Butão. 
Antes disso, ainda há uma manhã para preencher. Tomámos o pequeno-almoço e rumámos de autocarro a Kirtipur, uma aldeia em que podemos ver o estilo de vida mais autêntico do Nepal. É um povo muito religioso que conjuga o budismo com o hinduísmo.
Um dos reis da última dinastia do Nepal começou a unificar todos os reinos partindo de Katmandu. O lugar de Kirtipur exigiu ao rei três tentativas antes de ser conquistado. Mas eventualmente também a monarquia caiu depois de 11 anos de guerra civil (1995-2006). Quando se deram as primeiras eleições em 2008, mais de 90% da assembleia votou contra a monarquia. O rei da altura aceitou o veredicto, retirou-se do palácio pacificamente e o Nepal passou a ser uma república.
No topo de Kirtipur, no templo Bagh Bhairab, os locais tocam sinos e acendem incesos antes mesmo de começarem o seu dia. Há ainda um grupo de homens que canta e toca sons que tanto nos envolvem como ensurdecem. As cabras fazem já parte das fachadas de monumentos religiosos. Sobre o edifício principal temos dois largos cinturões que, segundo o guia, nos indicam o caminho para o paraíso.
Ao fundo, uma magnífica vista para as montanhas cujos cumes vestidos de branco por detrás da cidade caótica relembram-os que mesmo na maior azáfama conseguimos encontrar picos de tranquilidade.

À entrada de muitos edifícios encontramos o Deus Hindu Ganesha (o clássico com a cabeça de elefante). Ganesha é filho de Shiva e Parvati. Ainda sem filhos, Shiva partiu para meditar nos Himalaias. Após muitos anos decidiu regressar a casa, mas encontrou uma pessoa à entrada de sua casa, que não o deixou entrar. Com raiva, Shiva cortou-lhe a cabeça. Só mais tarde, quando Parvati triste lhe conta, este sabe que era seu filho. Nisto, ordena às pessoas que vão até ao bosque e lhe tragam uma cabeça de um qualquer animal. Regressam com uma cabeça de elefante que Shiva junta ao corpo, criando Ganesha, uma junção entre o humano e o divino que é considerado protetor e que dá boa sorte. Enquanto ouvimos a explicação do guia, um senhor aproxima-se para ouvir e aproveita para nos mostrar o seu gorro tipicamente nepalês.

Seguimos viagem para encontrar um negócio em cada esquina. À entrada de todas as casas particulares vemos círculos laranja no chão nos quais os nepaleses deixam comida e oferendas, acreditando que os maus espíritos se entretêm com estas oferendas e, por isso, não entram nas casas.
Mais acima, um casal espalha arroz no que se assemelha a uma eira. Uma técnica muito tradicional no meio de uma selva de edifícios. Seguimos para o hotel para pegar as malas e seguir viagem. \\

Paro, Butão

\\ Chegados ao hotel, é tempo de fechar as malas, almoçar e seguir rumo ao aeroporto
Embarcamos no avião e rumamos em direção a Paro. Alguns sortudos conseguiram um lugar com vista para os Himalaias. Para um voo de 1 hora acho que foi o mais rápido e menos aborrecido de sempre. Desconfio que se estivéssemos num barco, este teria afundado, dada a quantidade de pessoas do lado esquerdo, ansiosas por uma vista desimpedida para os Himalaias. Já eu, estava a um chinês gordinho e antipático de distância da vista. Ainda assim, as montanhas salpicadas de neve a furar as nuvens espreitavam pela janela enquanto eu me dirigia para um dos meus destinos de sonho. Fomos ainda brindados com uma sandes, um queque e uns amendoins butaneses. Para beber optei por copiar a senhora da frente e pedi uma cerveja. Era de arroz vermelho e não era muito boa, mas era butanesa, que era o que interessava naquele momento.\\
 

Continua…
Dia 4: Thimphu
Dia 5: Thimphu – Punakha
Dia 6: Punakha – Paro
Dia 7: Paro
Dia 8: Paro – Katmandu

Podes ler tudo sobre o Butão no artigo respetivo: O sonho chamado Butão: 5 dias na Terra do Dragão do Trovão

Dia 8: Paro - Katmandu

22 de Outubro de 2022

Paro, Butão

\\ Começou o dia e acho que deixei os gémeos no Ninho do Tigre. Ainda bem que sou sempre uma farmácia ambulante em viagem. O guia contou-nos que já tinha guiado uma cantora portuguesa famosa: Marisa Liz! Seguiu-se a despedida e o guia Guenden disse-nos: “Sempre que ouvimos falar de Portugal eu penso no Ronaldo. Agora sempre que pensar no Ronaldo vou pensar em vocês.”

Seguimos viagem de avião até ao Nepal.

Stupa Boudhanath, Kartmandu, Nepal

Depois do almoço, seguimos mais uma vez até ao nosso destino da tarde, não sem antes aprendermos mais algumas coisas sobre o hinduismo do Nepal:

  • Sacerdotes (Brahmanes) trabalham, fazem cerimónias e podem casar.
  • Os “Sadhus” só vivem para a vida espiritual, muitos vivem em locais sagrados (como rios), não trabalham, não têm bens e vivem de esmolas e oferendas.

Seguimos para a Stupa Boudhanath. \\

A Boudhanath Stupa, em Kathmandu, no Nepal, é uma das maiores stupas budistas do mundo e um importante centro espiritual do budismo tibetano. Rodeada por mosteiros e bandeiras de oração, é um local onde peregrinos caminham em redor da estupa em meditação, num ambiente único de paz e devoção. Está classificada como Património Mundial, pela UNESCO desde 1979.

\\ Construída no século 5, recebe peregrinos de vários países budistas com especial ênfase no Tibete. Dizem que contém um osso de buda dentro. Os peregrinos andam à volta da stupa enquanto rezam os seus mantras e queimam plantas sagradas dos Himalaias para afastar os maus espíritos.

Quando foram expulsos do Tibete pela China em 1959, os tibetanos refugiaram-se também no Nepal e muito residem nestes bairros tibetanos em volta desta stupa.

Visitamos ainda uma escola de pintura num dos edifícios com vista para a Praça.

  • Concentra 400 artistas.
  • Contém pinturas em telas feitas artesanalmente com algodão.
  • Tudo é desenhado à mão sem recurso a utensílios .
  • Os desenhos são copiados de livros, não são obras novas ou da imaginação dos autores.
  • Usam cores naturais e ouro de 24 quilates.
  • O guia contou-nos que o Dalai Lama fez uma mandala que demorou 4 semanas para uma convenção e depois da convenção deitou tudo para o rio, numa forma de nos relembrar que nada na vida é permanente.
  • A mandala representa, na verdade, a vista de uma stupa em 2D e o círculo de fora representa o corpo e as partes de dentro a mente.
  • Há vários desenhos /abordagens do círculo da vida que têm:
    • As 3 razões para o sofrimento: ignorância (porco), raiva (cobra), e vaidade / ganância (pavão).
    • Representações de bom e mau karma. O karma é algo que levamos connosco do nascimento à morte.
    • Círculo com 6 estados da mente.
    • A vida é um círculo porque nunca acaba, uma vez que acreditam na reencarnação.
Seguimos viagem para um local bastante impactante emocionalmente: Pashupatinah.
 

Pashupatinah, Katmandu, Nepal

O Pashupatinah é um templo em homenagem ao Deus Shiva, Deus destruidor das coisas más e regenerador das boas. Este Deus apresenta-se sob 64 formas distintas. É um templo de peregrinação e onde se realizam muitos rituais e encontra-se junto ao rio sagrado Bagmati. É também Património Mundial da UNESCO desde 1979. 

É aqui que se realizam várias ceremónias fúnebres e tem várias plataformas ao longo do rio que servem como crematórios. Tivemos o privilégio de assistir a vários, nas suas diferentes fases.

O ritual de funeral / cremação:

  • Quando alguém morre, é colocado numa plataforma de bambu enrolado em panos amarelos e laranja.
  • O ritual é feito preferencialmente pelos filhos, pais ou familiares, por esta ordem de preferência.
  • Chegados à plataforma, dão 3 voltas com o corpo antes de o pousarem.
  • Depois, despem-no porque se morre como se nasce: nu.
  • Colocam no corpo manteiga, alhos e por cima palha molhada.
  • Ateia-se fogo pela cabeça.
  • Demora 4 horas a cremar por completo.
  • Depois de totalmente cremado, o corpo e os seus pertences são lançados ao rio.
  • Quando o ritual termina, os filhos vestem roupas brancas (cor de luto nesta religião) durante 13 dias, não podem comer fora e comem somente 1 vez ao dia, apenas verduras.
  • Ao 13º dia fazem uma cerimónia de purificação, convidam os parentes e fazem uma festa.
  • A vida regressa ao normal ao 14º dia.
São cremadas, em média, 30 pessoas por dia neste local. E há uma lenda sobre este local: havia uma vaca que todos os dias vinha até aqui dar o seu leite e depois voltava a “casa”. O dono da vaca decidiu escavar neste local e encontrou uma imagem de Shiva e da sua mulher Parvoti. Para proteger esta imagem construíram este templo. 
 
O ambiente neste local é muito intenso, como se de um espetáculo se tratasse. Não há nenhum cheiro particular no ar. Há homens vestidos de Shiva e uma azáfama de gente para trás e para a frente. O contraste das chamas com o céu escuro arrepia qualquer coração mais sensível. Ainda não encontrei o adjetivo mais adequado para o que senti mas achei uma experiência muito emotiva\\ 

Alojamento no Hotel Fairfield By Marriott. 

Dia 9: Katmandu - Patan - Katmandu

23 de Outubro de 2022

Patan, Nepal

\\ Mais um dia em Katmandu. Neste dia era o primeiro dia do Festival Tihar, que dura 5 dias, a mesma festa das luzes que se celebra na Índia. Este festival tem uma agenda bem definida:

  • 1º dia. Dia dos corvos (mensageiros da morte)
  • 2º dia: Dia dos cães : colocam-lhes grinaldas
  • 3º dia: Dia das vacas + Duesa Laxmi: pintam os seus coros e cornos + ilumnam as suas casas porque acredita-se que a deusa da riqeuza visita todas as casas iluminadas
  • 4º dia: Dia dos bois
  • 5º dia: Dia dos irmãos e irmãs. Irmãs oferecem fruta e comida e dançam para os irmãos e estes oferecem presentes às irmãs
Este dia foi dedicado a conhecer e vivenciar o dia-a-dia dos nepaleses, passando por vários bairros nos arredores de Patan. Esta cidade também é conhecida como cidade da beleza, das artes e dos artesãos. 
 

Bungmati, Patan, Nepal

Começamos por Bungmati, uma aldeia clássica do século 16. Aqui os nepaleses secam arroz nas suas eiras por 2/3 dias antes de os passarem por uma máquina para separar os grãos e de o peneirarem manualmente. Os habitantes falam um dialeto próprio e os mais velhos não falam nepalês. O terramoto de 2015 deixou grandes marcas no país que ainda hoje se fazem sentir. Este povo Newari (povo indígena deste local) tem uma bandeira específica. A maioria sobrevive da agricultura ou artesanato.

Khokana, Patan, Nepal

Seguimos para Khokana, outra aldeia típica. Vemos pais deixar filhos nas escolas e muitos deles iam super bem vestidos para o primeiro dia do festival. Aqui, visitámos uma fábrica de óleo de mostarda onde vimos todo o processo. São também na maioria agricultores.

Outras curiosidades: O Butão é o único país do mundo cuja bandeira não é um quadrilátero. Os dois triângulos simbolizam os picos (montanhas) do país. Tem um sol e uma lua, que simbolizam valentia e paz, respetivamente. São pacíficos, mas valentes. O Nepal exporta: pêlo de animais, pinturas sagradas, artesanato de madeira e metal, pedras e sal dos himalaias. Importam a maioria das coisas da Índia, como fruta. 

Praça Durbar, Patan, Nepal

Seguimos para Patan e para a Praça Durbar. Esta tem a residência da família real e os seus pátios sagrados. As portas dos monumentos são baixas porque forçam todos os que passam por elas a adorar os deuses, baixando as cabeças. As janelas têm buraquinhos que fazem som com o vento a soprar. Vemos ainda muito impacto do terramoto de 2015.

Visitámos artesãos que faziam as taças tibetanas à mão e ensinaram-nos a distinguir a textura, toque e som das industriais. As que são feitas manualmente levam 7 metais (em vez de 3) e têm, de facto, uma vibração bem diferente. Comprei uma, claro. 

Continuamos pelas compras durante o fim da tarde: bandeirinhas, postais, bolsas com chá, calendários, etc. Depois do jantar e antes de irmos dormir, ainda houve mais compras locais, umas saias lindas. \\ 
Alojamento no Hotel Fairfield By Marriott. 

Dia 10: Katmandu - Chitwan

24 de Outubro de 2022

\\ O dia começou com uma viagem de autocarro de 6h30 de Katmandu a Chitwan, juntamente com uma aula de geografia:

  • Distância Norte- Sul: 250 km
  • Distância Este-Oeste: 850 km
  • O país está dividido em 3 regiões: região dos Himalaias, região de montanha (terras altas) e região das terras baixas.
  • A segunda maior cidade do Nepal é Pokhara
  • População: 30 milhões
  • 146 mil km2
  • 70% da população trabalha na agricultura, 20% em serviços e 10% na indústria
  • Principais cultivos: arroz, trigo, milho, mostarda, girassol, soja, legumes e frutas

O destino da viagem é Chitwan, casa de um dos 9 Parques Nacionais do Nepal:

  • Tem rinocerontes de 1 só corno que só existem na Índia e no Nepal
  • Antes de ser parque nacional era uma reserva nacional de caça para os reis
  • Em 1960, havia menos de 100 rinocerontes e 20 tigres. O rei declara zona de reserva real.
  • 1973: declarado parque nacional
  • Segundo os últimos dados: tem 450 espécies de aves, 70 borboletas diferentes, 50 mamíferos, 30 elefantes selvagens, 620 rinocerontes, 96 tigres-de-Bengala (espécie em vias de extinção)

A vaigem acompanha o rio Trishuli, um rio sagrado que nasce no acampamento base da região Langtang. Estamos a percorrer um dos trajetos da rota comercial, por isso vemos imensos camiões que vêm da Índia com mercadorias. 

Um dos momentos mais marcantes desta viagem foi quando a nossa guia nos surpreendeu ao ler uma reportagem sobre 2 jovens portugueses que tinham vivido o devastador terramotod de 2015. Para além de viverem o terramoto, ficaram mais 1 ano para ajudar a reconstruir o país. Criaram uma fundação para ajudar as pessoas. As palavras emotivas, a viagem de autocarro a serpentear as curvas e a minha fértil imaginação foram ingredientes perfeitos para começar a choradeira. 

Este foi o mote para uma série de pensamentos sobre a minha própria vida.

Depois da aula de geografia, seguiu-se a aula de história:

  • No Nepal temos um sistema de castas que continua em prática nas aldeias, mas começa a desparecer nas grandes cidades. Na Índia a tradição continua muito viva: casam apenas dentro da mesma casta, não podem mudar de casta e cada uma tem as suas tradições e costumes.
  • Casta 1 superior (bramanes): sacerdotes e sadhus
  • Casta 2: administradores e exército
  • Casta 3 (bostio): artesãos
  • Casta 4 (sudra): pescadores e agricultores

Chitwan National Park, Chitwan, Nepal

Já no Parque Nacional, chegámos ao Tigerland Safari Resort e o almoço estava à nossa espera. O diretor do resort veio dar-nos as boas-vindas e pudemos conhecer as cabanas onde iríamos pernoitar as próximas duas noites. 

Aldeia de Tharu

O plano da tarde foi uma visita a pé pela aldeia de Tharu. Começou com uma imersão sobre plantas: bananeiras, papaias, cúrcuma, arrozais, teca e ainda uma lição sobre plantas invasoras que foram trazidas pelos cereais que vieram da América do Sul.

Os campos de arroz em primeiro plano, seguidos pelas fileiras das bananeiras e com o cheirinho dos Himalaias ao longe, é um cenário mesmo mágico.

As pessoas estão a preparar-se para o segundo dia do festival Tihar e fazem desenhos com pós coloridos à entrada das casas. Contam-nos que mudaram as plantações de arroz para bananas porque exigem menos mão de obra e tem havido um êxodo de pessoal jovem para as cidades, abandonando as aldeias.

Conhecemos uma rapariga de 23 anos mãe de gémeos. Todas estas imagens e pessoas colocam mesmo a nossa vida em perspetiva. Somos mesmo sortudos por ter nascido onde nascemos. Vimos as casas destas pessoas e os seus quintais: galinhas, cabras, búfalos… Uma vida e uma realidade muito rudimentares. Mas vivem todos juntos, e apoiam-se muito uns nos outros. Há uma casa de vigia por causa dos animais selvagens que rondam a zona e todas as noites alguém fica de pontão. O hotel onde ficámos é muito importante para aquela comunidade. Para além de ser o trabalho de muitos deles, é também família. O diretor do hotel conhece todos pelo nome e sabe as idades de todos. Quando as crianças da aldeia tiram boas notas, têm direito a comer sumo e bolachas no hotel.

Regressámos ao hotel e depois de um banho não tive força nem para escrever nem para publicar nada nas redes. Limitei-me a dormir. Tudo o que conseguia pensar era mesmo na sorte que tinha por ter nascido onde nasci, ter tido todas as oportunidades que tive, ter tido alguma inteligência para as aproveitar e acima de tudo, ter tido a sorte de estar a realizar um sonho nesta viagem. \\ 

Dia 11: Chitwan

25 de Outubro de 2022

Chitwan National Park, Chitwan, Nepal

\\ Neste dia houve um despertar diferente. Em vez do alarme do telemóvel, tivemos alguém a bater-nos à porta. Seguiu-se um bom pequeno-almoço e até a sorte de comer queijo de búfalo. Bem bom!

Entramos todos em jipes e seguimos para o ponto de partida do passeio matinal. Subimos a bordo de umas canos, com os devidos coletes, e seguimos em busca de animais. A sensação de estar num rio calmo, sem barulho e apenas envolvida pela natureza é maravilhosa. 

Começamos por ver uns crocodilos Gavial que estão em vias de extinção, mas calma… não comem humanos. Os químicos utilizados pelos agricultores e o aquecimento global enviaram esta espécie para a proximidade da extinção. Há muito mais fêmeas do que machos porque, na natureza, o sexo dos animais é determinado pela temperatura durante o período de incubação. Há apenas 2 machos em 500 animais no centro de reprodução. São a única espécie de crocodilo em que conseguimos ver diferenças visíveis entre macho e fêmea.

Já no Parque Nacional, chegámos ao Tigerland Safari Resort e o almoço estava à nossa espera. O diretor do resort veio dar-nos as boas-vindas e pudemos conhecer as cabanas onde pernoitaremos nas próximas duas noites. 

Atracadas as canoas, foi altura de subirmos novamente ao jipe e seguir viagem, com vento nos cabelos até ao próximo destino: centro de conservação e reprodução dos crocodilos gavial. Mas antes… O guia conta-nos que a mulher vive em Katmandu com a filha dele de 16 anos e que apenas se veem 2 dias de 3 em 3 meses. Diz que a relação funciona bem porque estão longe e ela fica com o cartão de crédito. Mas depois diz que tem uma loja em Katmandu e que a mulher é que gere as finanças da família. 

Chegados ao centro de preservação e reprodução dos crocodilos Gavial, aprendemos muito:

  • A Lacoste patrocina este centro, engraçado
  • Têm crocodilos de várias idades
  • Os crocodilos mais pequenos não têm força para abrir a mandíbula e comer, pelo que os tratadores alimentam-nos um a um para garantir que todos comem. Com o pé, prendem-lhes o rabo, abrem-lhes a boca e enfiam-lhes um pequeno peixe literalmente pela goela abaixo. 
  • Há apenas 2 machos neste centro
  • Quando atingem os 6 anos de idade são lançados ao rio

Depois do almoço, subimos de novo aos jipes e fomos fazer um pequeno safari:

  • Vimos crocodilos pelos lagos
  • Encontramos um local montado num elefante que aproveitou para fazer alguns truques com a tromba do elefante
  • Avisatámos um rinoceronte de um só corno. Tem os lábios pontiagudos para agarrar coisas e conseguir furar caminho. 
  • O nosso guia fez questão de nos dar a provar umas bagas amargas.
  • O guia parou o kipe antes da ponte sobre o rio e vimos um dos mais incríveis pôres do sol. Era dia de eclipse parcial do sol. Embaixo, 2 crocodilos Gavial em descanso num banco de areia. Que bonito final de dia.

Voltámos a montar o jipe e seguimos por entre os campos de arroz e banans até ao hotel. Seguiu-se uma noite temática e todos nos vestimos com algo referente à sleva ou safari que tínhamos vivido. Com um lenço que trazia na mala desenrasquei um top que fez sucesso. Houve até quem fizesse colares com as flores do jardim!

Seguiu-se uma mostra de danças tradicionais e uma cerveja nepalesa acompanhada de pipocas. As danças eram feitas apenas por mulheres e incluíam paus, pandeiretas e uma percussão vertical peculiar. Claro que no fim nos juntamos a elas.
Foi dia de grande festa e é nestas noites que sinto que sou sortida e que a vida é bonita. \\ 

Dia 12: Chitwan - Pokhara

26 de Outubro de 2022

\\ Este foi mais um dia duro de autocarro. Depois do pequeno almoço, seguimps rumo a uma viagem de 160km e 5h30m. 

Pokhara, Nepal

O destino é Pokhara, uma das maiores cidades do Nepal, conhecida pela sua natureza e pos ser o ponto de partida e chegada para a subida ao Annapurna. Tem cerca de 1 milhão de pessoas, amiioritariamente da 3ª casta – os soldados. De Pokhara vê-se três picos montanhoso com mais de 8.000m de altitude. 

Pelo caminho, passámos por paisagens muito bonitas que conseguimos apreciar mesmo apesar do que nos separa: uma diferença térmica de ar condicionado alucinante. O epicentro do terramoto de 2015 foi perto do local onde se unem 2 rios sagrados: Marsyangdi e Trishuli – que mais tarde desagua no Ganges (famoso rio da Índia). Passámos ainda por muito locais que parecem ter sido esquecidos, nunca forma reconstruídos. Há ainda muitas pontes em construção com o objetivo de encurtar este trajeto e torná-lo mais “reto”. Mas, na realdiade, não vemos trabalhadores nestas obras.

Chegados ao hotel, depois de uma boa receção, seguimos para o almoço e depois de volta ao autocarro, para uma viagem mais curta mas não menos emocionante. As ruas em obras e cheias de pó fazem lembrar um qualquer cenário de guerra. E assim que começamos a subir nas curvas e contracurvas percebemos que conduzir neste país é uma verdadeira batalha e rezamos para que os travões funcionem bem à vinda para baixo.

Pagode Mundial da Paz, Pokhara, Nepal

Este é um sítio mágico, com uma vista panorâmica sobre a cidade. Neste fim de tarde nublado viamos apenas a ciadae porque os Himalaias se esconderam. Restam-nos as fotos do local, uma vez que vídeos e tik toks estavam explícitamente proibidos. 

Cascata de Devi, Pokhara, Nepal

À descida, vamos apreciando os gelados em caixas de cartão e os chapeus pirososa. Passamos ainda pela Cascata de Devi ou do Diabo, mas com o cheiro péssimo, só nos apeteceu ver de longe  epouco tempo mesmo. Mais uma do Nepal.

O jantar teve uma grande surpresa: pela primeira vez em 12 dias de viagem, o jantar não contemplava frango. Pequenas vitórias. Segui-se um peuqneo passeio para digerir o jantar com direito a: uma farmácia com luzes psicadélicas, cabras à porta do talho, jovens nepaleses que “foram minados” e grupos de jovens a fazer danças tradicionais. Foi aqui que descobri a minha banda sonora desta viagem: Kusu Kusu. Recomendo muito que oiçam, sempre que o faço me transporta para esta viagem.

Alojamento no Hotel Atithi Resort.\\ 

Dia 13: Pokhara

27 de Outubro de 2022

\\ O dia começou com umd espertar as 4h30m para subirmos a um miradouro e vermos o nascer do sol. 

Começamos por aprender algumas curiosidades sobre subir o Monte Evereste:

  • Base camp:
    • Tempo total: 8 diaS
    • Custo: só a licensa custa 50 dólares
    • Em 2021 o Nepal concedeu o maior número de licensas de sempre, uma vez que o Tibete continuava fechado
  • Topo do Evereste:
    • Tempo total: 2 meses
    • Custo: entre 30 a 50 mil dólares
    • Subir sozinho custa cerca de 50mil dólares, em grupos máximos de 8 pessoas pode ficar entre os 7 e o 10 mil dólares
    • Quando se moree na montanha, não há resgates de corpo, ficam lá
    • Os seguros cobrem apenas resgates por ferimento e só o transporte de saíde do monte pode rondar os 2 mil dólares
    • Sherpas: locais que carregam as bagagens e podem custar até 5 mil dólares por semana
    • É obrigatório subir com bombas de oxigénio que podem custar cerca de 500 dólares
    • As expedições começam normalmente em Março para chegar ao cume em Maio, que é quando a metereologia tende a ser mais favorável
    • Há 4 campos base
    • O evereste é o pico mais alto mas subir a K2 é mais difícil tecnicamente

Sarangkot Viewpoint, Pokhara, Nepal

Subimos ao miradouro e, ainda de noite, conseguíamos já perceber que não era um bom dia porque estavam imensas nuvens.  A luz começõu a invadir a paisagem mas as nuvens tapavam quase toda a vista. Ainda ouvimos algumas pessoas a gritar de vez em quando e entre os bruacos das nuvens fomos tendo um vislumbre do que poderíamos ter visto com bom tempo: os picos das montanahs a brilhar com o sol da manhã. Teria sido lindo, mas faz tudo parte de viajar. Não se pode controlar tudo. 

Depoi sde um pequeno almoço no hotel pós miradouro, seguimos para a próxima paragem. 

International Mountain Museum, Pokhara, Nepal

Chegámos ao Museu Internacional da Montanha: um museu com 20 anos dedicado às montanhas e aos montanhistas que as escalaram. Vou levar-vos comigo nesta visita guiada:

  • Começa a visita com uma série de fotografias comparativas do estilo de vida dos povos dos Alpes e dos Himalaias, que acabam por ter muitas parecenças
  • Seguem-se imagens dos vários picos com informação sobre a natureza e também sobre quem os escalou pela primeira vez
  • Tocou-me particularmente o testemunho de Maurice Herzog que subiu ao Annapurna em 1950 e foi o primeiro homem a subir um pico com mais de 8 mil metros. Segue o excerto:

“I was stirred to the depths of my being. Never had I felt happiness like this… so intense yet so pure. Those brown rocks, the highest of them all, which ridge of ice. Were those goals of a lifetime? Or were they, rather, the limits of man’s pride?”

  • Em homenagem a Harka Gurung: o homem que nasceu com uma verruga no pé e que, por isso, se acrediat que estava destinado a viajar. Saiud da sua ciadade com 9 anos e visitou 70 países. Esteve envolvido na criação da Associação Nepalesa de Montanhismo e foi quem teve o sonho deste museu. Foi também Ministro do Turismo do Nepal. A sua mulher ofereceu-lhe este cantinho no museu que ele idealizou.
  • Vimos várias indumentárias utilizadas pelos montanhistas e chocou-me ver as botas finas, os arneses rudimentares e a pouca roupa com que enfrentavam o monstro dos Himalaias.
  • Junko Tabei: a primeira mulher a chegar ao cume do Evereste, apenas 12 dias depois de uma avalanche quase lhe tirar a vida. Foi também a primeira mulher a subir os 7 cumes (as montanahs mais altas de cada continente), acabou aos 53 anos
  • Park Young-Seok: o único homem (ser humano) que chegou aos 3 polos (evereste, polo norte e polo sul), os 7 cumes e os 14 pontos acima de 8 mil metros. Impressionante.
  • Nirmal Purja:
    • O mais rápido a fazet o evereste e o k2 (Seguidos!) em 61 dias
    • Primeira subida ao K5 no inverno
    • Subiu os 14 pontos acima de 8 mil metros em tempo record: 6 meses e 6 dias
    • Recomendo o documentário: 14 peaks: Nothing is Impossible
  • “Speed” Kaji Sherpa: Detem o recorde de subida mais rápida ao topo do Evereste sem auxílio de oxigénio em 20 horas e 24 minutos
  • Outras curiosidades:
    • É mais difícil cozinhar arroz em altitude porque a pressão do ar é mais baixa, reduzindo o ponto de ebulição e reduzindo também a temperatura da água que se consegue ter, demorando mais tempo até cozer o arroz
    • Os habitantes do Himalaias e outras tribos respiram melhor em altitude porque têm pulmões e coração maiores e vasos sanguíneos mais dilatados, naturalmente.
    • Duas frases bonitas que me ficaram:

“My life is only worthwhile when it is what I want it to be. I would rather not waste my life, I prefer to risk it.”

“Everyone has their own Everest to climb. My success proved that everyone can achieve whatever they set their minds on.”

  • Quase no fim do museu há uma bandeira de Portugal e deixo o meu obrigada ao nosso João Garcia por colocar Portugal no mapa e na boca do mundo, e também neste museu. Ele que foi o 10º homem a subir a todos os 14 picos com mais de 8 mil metros.

Depois saímos do museu e fomos até à próxima atividade.

Lago Fewa, Pokhara, Nepal

Chegados ao lago entrámos nuns pequenos barcos a remos e aproveitamos a viagem até um templo no meio do lago. Vimos vários nepaleses com a tika (pinta na cabeça) por ocasião do dias dos irmãos. Neste dia, a tika é feiat pelos próprios irmãos. Foi um bom passeio com uma paisagem linda.

Depois almoçamos e disfrutamos de uma tarde livre, que significou compras: postais, incensos e ímans. A cidade estava super dinâmica e havia jovens a dançar em todas as ruas. 

Seguiu-se o jantar e a minha escrita diária noturna.

Alojamento no Hotel Atithi Resort.\\ 

Dia 14: Pokhara - Katmandu

28 de Outubro de 2022

\\ Este foi o primeiro dia, em já 14, que senti que efetivamente dormi e descansei bem. Era também dia de aeroporto por isso o descanso ia mesmo dar jeito.

A chegada ao aeroporto é sempre acótica aqui e até os guias já passam para trás dos balcões para tentar agilizar as coisas e garantir que todas as malas são despachadas. Passámos a “segurnaça” e somos revistados por trás de umas cortinas roxas, bem sugestivas. O aeroporto é um caos e todos os voos estão atrasados. Sentei-me a ler. Ao meu lado, um dos hospedeiros de terra conta os bilhetes do spassageiros embarcados, de cócoras, dispondo os bilhetes no chão. O voo estava previsto paara as aa:45 e começamos o embarque as 13:20. A vista dos Himalaias salvou o desespero. A viagem foi curta e às 14h já tínhamos aterrado em Katmandu. Recolhemos malas, almoçamos e rumamos ao destino da tarde.

Chandragiri Hills, Katmandu, Nepal

Começámos a 1350 metros e subimos 2,5 km de teleférico que em 9 min nos deixa a 2560 m de altitude. No topo encontrámos um templo sagardo que foi construído há 6/7 anos. Infelizmente estava muito nublado e foi mais um momento de expectativas vs realidade. Cheios de frio, descemos e conseguimos ainda ver a cidade de noite, com as suas luzes a cintilzar por causa fo Festival Tihar. 

Voltámos ao hotel e depois do jantar seguiu-se um bom banho com direito a sessão de lavandaria caseira. 

Alojamento no Hotel Fairfield By Marriott. .\\ 

Dia 15: Katmandu - Dhulikhel - Panauti - Bhaktapur - Katmandu

29 de Outubro de 2022

\\ O despertar das 7h da manhã custou neste dia. Nunca vou aprender a fazer a mala e a preparar a roupa no dia anterior (2026: Já aprendeste, Carolina!)

Rumámos mais uma vez de autocarro e o primeiro destino foi Panauti.

Panauti, Nepal

A cidade dos 40 templos e 28 festivais na confluência de 2 rios. Vagueámos pelas ruas, templos e deságuamos num local de crematório. Cada povo tem o seu rio sagrado onde realizam as cremações. Aos 9/10 anos todas as crianças realizam uma cerimónia de purificação. Caso as crianças morram antes desta cerimónia, não são cremadas mas sim enterradas (junto a rios ou florestas). O mesmo acontecer com mulheres grávidas. Não há cemitérios propriamente ditos. No entanto, tanto os hindus como os budistas têm árvores sagradas. Os budas acreditam que buda se iluminou debaixo de uma dessas árvores enquanto os hindus acreditam qeue estas são uma reencarnação de um Deus.

Vimos ainda mulheres a lavar roupa no rio (sim, o mesmo rio) e muitas crianças a tentar voar para outro lugar nos vários baloiços.

Dhulikhel, Nepal

Seguimos para Dhulikhel, uma das mais famosas cidades comerciais entre o Nepal e o Tibete. Encontrámos um senhor que sabe quem é Cristiano Ronaldo, que começou no Sporting. No entanto, é mais fã do Benfica.  Aqui vemos mesmo a vida das pessoas fora das grandes cidades: crianças brincam na rua, velhotes apreciam sentados num canto e até banhos de crianças em alguidares temos o prazer de presenciar.

Bhaktapur, Nepal

A próxima paragem foi a cidade de Bhaktapur, que significa cidade dos devotos, um autêntico museu ao ar livre. É a mais preservada des 3 principais cidades medievais do vale e compreende impressionantes arquitecturas religiosas. Está cheia de pagodes e templos e é também conchecida pelos seus artesanatos culturais: cerâmica, fantoches, máscaras, tudo do bom e do melhor para comprar lembranças.

Algumas coisas que fomos vendo durante o nosso passeio:

  • Jogo tradicional parecido a damas mas com tigres e cabras
  • Um janela com um pavão esculpido em madeira do século 15
  • Templo Nyatapola: O templo com 5 pisos na praça principal com mais de 30 metros e que já sobreviveu a 2 terramotos: 1934 e 2015. Só o sacerdote pode entrar. É uma homenagem à deusa Lakshmi, da riqueza e prosperidade.  O acesso é feito por uma escadaria monumental, onde cada um dos 5 níveis é guardado por pares de estátuas que aumentam de poder à medida que sobem (lutadores, elefantes, leões, grifos e deidades)
  • Vimos vários artesãos: madeira e cerâmica. Há fornos comunitários para os artesãos de cerâmica.
  • Tivemos ainda oportunidade de provar várias iguarias:
    • Momo: dumplings de origem nepalesa recheados de galinha. Picante e com sabor a cominhos. 9/10
    • Kulfi: gelado com leite e amêndoa. Textura muito arenosa / farinhenta. Bom, pouco doce. 7/10
    • Pani puri: massa puri recheada com batata, coentros, chili, alho em pó e tudo o mais que havia naquele tabuleiro. Por cima leva um caldo. Põe-se na boca de uma só vez e sente-se uma explosão de clado e coentros ligeiramente picante. 7/10
No caminho para o hotel, ouvimos ainda a história do massacre da família real nepalesa. A 1 de junho de 2001, no Palácio Real de Katmandu, o príncipe herdeiro Dipendra matou nove membros da família real, incluindo o rei e a rainha, antes de disparar sobre si próprio. Como não morreu de imediato, foi oficialmente declarado rei durante três dias, até falecer devido aos ferimentos. O trono passou então para o seu tio, Gyanendra. Embora a versão oficial aponte para um conflito relacionado com o casamento que o príncipe desejava e ao qual os pais se opunham, persistem teorias de conspiração que sugerem o envolvimento do tio no massacre para chegar ao poder. A monarquia acabou por ser abolida em 2008.

Regressámos ao hotel e jantámos todos juntos, como habitual. Partilámos histórias e eu foquei-me em aprender com os mais velhos e com tudo o que tinham para contar.

Alojamento no Hotel Fairfield By Marriott. \\ 

Dia 16: Katmandu - Dakshinkali - Kopan - Katmandu

30 de Outubro de 2022

\\ Mais um dia e o último de visitas. Alguns colegas escolheram saltar este dia e visitar outras coisas por si, mas adoro ir guiada a todo o lado, acho que se sabe e conhece locais que de outra forma seria muito difícil. 

Templo Dakshinkali, Nepal

Visitámos este templo dedicado a Kali, a deusa do tempo, destruição, morte, criação e poder. No caminho, muitas banquinahs vendem oferendas e animais vivos. Estes animais são mortos e sacrificados neste templo e a imagem é banhada com o seu sangue. A carne é comida pela comunidade.

Mosteiro de Kopan, Nepal

Depois do almoço, visitámos este mosteiro lindo onde finalmente ocnseguimos tirar fotos do interior. Em todos os locais onde tiínhamos estada, tinha-nos sido proibido. Cá fora, as rouaps dos monges secavam em cima dos arbustos e ao fundo conseguíamos ver os Himalaias. Local lindo e cheio de misticismo. Antes de seguir viagem ainda tive direito a um pequeno passeio de mota com o dono de uma empres alocal e que saudades tenho de andar de mota.

Já muito cansados, regressámos ao hotel e ainda tivemos força para umas últimas compras antes de regressar no dia seguinte.

Alojamento no Hotel Fairfield By Marriott. \\ 

Dias 17 e 18: Katmandu - Istambul - Lisboa

31 de Outubro de 2022

\\ Depois do pequeno almoço, seguimos para o aeroporto e embarcamos com destino a Istambul. Acabamos por jantar e ficar uma noite em Istambul, o que deu para ir ao centro e matar saudades da comida boa. \\ 

1 de Novembro de 2022

\\ Depois de uma noite bem dormida seguimos d enovo para o aeroporto e voamos em direção a Lisboa.
Seguia sempre na janela a imaginar que a minha vida dava mesmo um filme e que não podia estar mais feliz por ter concretizado mais um sonho e ter conhecido pessoas incríveis. \\ 

Considerações Finais

Esta foi a minha primeira viagem em grupo e nasceu da vontade de concretizar um sonho antigo: conhecer o Butão. Apesar de já ter viajado pela Ásia e de ter tido contacto com o Budismo noutras ocasiões, esta foi também uma oportunidade para conhecer mais de perto o Hinduísmo e mergulhar em culturas muito diferentes da minha.

Foi uma viagem extremamente confortável, organizada ao detalhe e com um ritmo bastante tranquilo. Talvez por isso, a maioria dos participantes pertencesse a uma faixa etária mais elevada do que a minha. Ainda assim, foi a solução que encontrei na altura para visitar um destino que, de outra forma, seria mais difícil de alcançar, e não me arrependo nem por um momento.

Ao longo da viagem fui constantemente surpreendida. Pelas paisagens, pela espiritualidade tão presente no quotidiano, pela simpatia das pessoas e pelas histórias que fomos descobrindo em cada lugar. Foi uma experiência que me marcou profundamente e que me deixou uma enorme sensação de gratidão.

Ao mesmo tempo, ajudou-me a perceber melhor a forma como gosto de viajar. Embora tenha apreciado todo o conforto e a facilidade logística de uma viagem organizada, confirmei que me sinto mais realizada quando viajo de forma mais autêntica, com maior liberdade para explorar ao meu ritmo e sair dos percursos mais convencionais. No entanto, também reconheci o valor das visitas guiadas. Ter alguém que nos explica a história, a cultura e os detalhes que muitas vezes passam despercebidos enriquece imenso a experiência, e é algo que, numa viagem de grupo, surge de forma muito mais natural do que quando viajamos sozinhos.

No final, esta viagem não me deu apenas a oportunidade de conhecer o Butão e o Nepal. Deu-me também uma melhor compreensão daquilo que procuro quando viajo: experiências genuínas, contacto com culturas diferentes, momentos de descoberta e histórias que permanecem connosco muito depois de regressarmos a casa.

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